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Blog para apoiadores da pesquisa sobre história e contexto da criadora da Eutonia 

Por Débora Oliveira

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Vivendo no país de nascimento da Gerda

Olá, queridos apoiadores!


Alguns de vocês já sabem, mas fiquei na Alemanha por conta de uma proposta de trabalho num centro de dança. Ao mesmo tempo que estou seguindo com essa pesquisa sobre a Gerda Alexander, estou também trabalhando num projeto artístico pessoal, o que está me abrindo muitas portas por aqui! Estou tentando tirar o visto de artista, que é uma versão especial do visto de freelancer que atualmente só a Alemanha emite. Como Berlim é uma cidade que atrai muitos artistas (há muitos anos, como veremos com essa pesquisa!), eles desenvolveram alguns mecanismos de suporte, como este visto e um seguro de saúde parcialmente financiado pelo governo, por exemplo. Estou aqui desde agosto no processo, entre documentos e idas ao departamento de imigração ("Ausländerbehörde", em alemão). Nesse tempo, estou aproveitando para aprender alemão e fazer pequenos progressos com a pesquisa sobre a Gerda. Compartilho com vocês algumas observações:


É muito bom poder estar geograficamente perto dos lugares que estou pesquisando. Como é uma pesquisa histórica, sinto que preciso lidar com muitas informações do plano mental, relacionando datas, pessoas e ideias, o que gera muito desgaste. Ir fisicamente nos lugares e conversar com as pessoas faz muita diferença. Fui mais uma vez em Hellerau, mas agora sem nenhuma programação acontecendo. Conversei com o programador de dança, que me deu um panorama dos interesses atuais da instituição. Talvez role uma parceria a longo prazo, quem sabe!



Outra coisa muito interessante é reconhecer coisas no cotidiano daqui. Por exemplo, em meados de outubro, havia uma quantidade imensa de castanhas no chão por todos os lados. Os países do norte da Europa têm muitos pés de castanhas nativas, e elas dão com muita abundância, mas num curto período de tempo. Fiquei pensando na Gerda como Lygia Clark, experimentando os materiais do cotidiano no corpo. As castanhas foram uma descoberta bem especial. Vou copiar um texto da conversa com Violeta Hemsy de Gainza onde ela fala de seu potencial de regulação elétrica:



"Violeta: Como vocês utilizam as castanhas?

Gerda: Há muitas formas diferentes. Nós sempre as mantemos nas mãos, especialmente se estão frescas."

Violeta: Quantas?

Gerda: É importante que haja um número par em uma mão e um número ímpar em outra. Aprendi algo sobre isso na Universidade de Munique, onde se estudam diversos fenômenos ligados às correntes terrestres. Perguntei-lhes se sabiam de algo relacionado com as castanhas e obtive valiosas informações. Disse-lhes que havia observado que algumas vezes as castanhas provocavam efeitos muito bons e outras não; o professor respondeu-me que provavelmente não devia conhecer a importância dos números pares e ímpares em relação a esses fenômenos. Na realidade, nunca havia pensado nisso.

Violeta: Deu-lhe alguma explicação?

Gerda: Sim. Está relacionada com a eletricidade positiva ou negativa. Uma parte do corpo tem eletricidade positiva e a outra, negativa, mas, frequentemente ocorrem mudanças. Por isso não se pode dizer sempre: tenha três castanhas nesta mão e duas na outra. A pessoa tem que realizar sua própria experiência.

(...)

Violeta: Bem, uma possibilidade é segurá-las nas mãos. Existem outras?

Gerda: Podem ser postas em qualquer parte do corpo, por exemplo, ao redor da pelve. Usamo-nas soltas dentro de pequenas bolsas. Frequentemente como pequenas almofadas sob a cabeça ou o pescoço, ou debaixo dos joelhos e dos pés. Para os idosos, expecialmente no inverno, são maravilhosas. Colocamos as castanhas primeiro num aquecedor. São muito boas para aliviar o reumatismo." (trecho do livro Conversas com Gerda Alexander, de Violeta Hemsy de Gainza, 1997, pg. 49-50)


Uma das maiores dificuldades em termos práticos é que não estou podendo me deslocar o quanto gostaria. Enquanto o visto não sair, não posso trabalhar formalmente (e emitir notas), o que restringe muito a possibilidade de renda. Quando olho no mapa e vejo o quão perto estou de Copenhagen, penso que poderia estar lá pelo menos umas duas vezes no mês revisitando os arquivos. Dá pra ir de ônibus durante a noite! E também tenho vontade de entrevistar os Eutonistas daqui e as escolas de formação, mas até agora não consegui. Isso me faz perceber o quanto uma pesquisa profunda precisa de financiamento. Andei conversando com coordenadores de mestrado que encontrei pelo caminho, e há algumas possibilidades de bolsas de pesquisa/financiamento cultural quando estou vinculada a uma instituição. Ainda não tenho um nível de alemão suficiente para isso, então estou estudando por conta própria, com ajuda dos nativos por perto, e dos amigos estrangeiros que me emprestam os livros dos cursos de línguas que eles já não usam mais. Los geht's!


Tenho recebido perguntas de alguns apoiadores ao longo desse tempo. Se você tem perguntas, dicas ou sugestões, entre em contato comigo! Muita coisa eu não posso postar por causa do sigilo, mas numa conversa informal funciona. Estou 4 horas pra frente, mas a gente ajeita o fuso.


Sigo agradecendo e movendo. Que alegria ter começado isso com vocês!




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