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Blog para apoiadores da pesquisa sobre história e contexto da criadora da Eutonia 

Por Débora Oliveira

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Hellerau Parte I - Como Gerda Alexander conheceu a Rítmica de Dalcroze?

Minha viagem começa pelo começo da história. Sempre lia informações sobre como Gerda Alexander chegou na Rítmica, método no qual ela foi formada, tanto por ela contando como por terceiros. O texto de Jean-Marie Huberty no livro "Eutonia. Prática Clínica e Pedagógica" (org. Marcia Regina Bozon de Campos) e a entrevista de Gerda para David Bersin foram norteadores nessa pesquisa. Jean-Marie, em especial, aponta o contexto que influenciou Gerda na criação de seu trabalho e ressalta a escola de Rítmica em Hellerau. Depois de algumas pesquisas na internet e uma vaga num festival acontecendo bem na minha chegada na Alemanha, fui descobrir o que era a tal da Escola de Rítmica de Hellerau.



O bairro de Hellerau é uma cidade-jardim idealizada pelo industrial Karl Schmidt e pelo intelectual Dr. Wolf Dohrn, próxima a cidade de Dresden, Alemanha. Em outubro de 1909, Schmidt e Dohrn viram uma performance de Rítmica de Emile Jaques-Dalcroze em Dresden. Ficaram tão encantados pelo trabalho que convidaram Dalcroze para juntar-se a eles no projeto em Hellerau e lhe ofereceram um teatro para suas aulas e festivais. O trabalho chamou a atenção de todo o cenário artístico e intelectual da época.


Inclusive de Gerda Alexander. Em entrevista a David Bersin, Gerda conta:

"Meu primeiro contato com o trabalho de Dalcroze foi com umas fotografias do primeiro festival em Hellerau. Mesmo que eu tivesse só 3 anos de idade, elas me deixaram muito impressionada."



O interesse de Gerda pela música e pelo movimento teve também influência de seus pais: "Antes do casamento dos meus pais, eles foram tão tomados pelas novas ideias do Dalcroze que decidiram que seus filhos iriam ser seus alunos. Assim que eu pude andar, eu comecei a dançar. Meu pai, que era um bom músico, tocava piano todos os dias. Até antes de eu nascer, eu ouvia música, inicialmente Mozart, todos os dias. Até os 14 anos, eu nunca dormia sem ouvir músicas de Mozart, Beethoven, etc. Mais tarde, quando eu comecei a aprender os movimentos de Dalcroze, eu costumava dançar todas as noites enquanto meu pai tocava. Como eu dançava o tempo todo de qualquer forma, meus pais evitaram me falar sobre Dalcroze. Mas quando eu comecei a ir para a escola, eu ouvi falar de seus cursos. Eu levei um ano para ter a permissão dos meus pais para fazer as aulas. Todas as manhãs, enquanto meu pai ainda estava meio sonolento, eu ia até ele pedir "Pai, posso ir?". Uma manhã, depois de um ano, ele ficou tão bravo que disse: "Como quiser, mas me deixe dormir!". Então eu ingressei na escola Dalcroze de Otto Blensdorf, onde fiquei de 1915 a 1929."



(continua...)


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